Enxaqueca: Quando os analgésicos param de funcionar e podem piorar o quadro

A enxaqueca é uma das queixas mais frequentes no consultório neurológico, e a mais subtratada.

  • Dr. Shigueo Yonekura – Neurologista em São Paulo – SP
  • Mais de 40 anos de experiência – CRM: 44519/SP l RQE Nº: 77390
QUERO MAIS INFORMAÇÕES
Mulher com a mão na cabeça e expressão de dor, ao lado de ilustração colorida da atividade do cérebro
Mulher de olhos fechados pressionando as têmporas com as duas mãos durante uma dor de cabeça

O que é enxaqueca e por que ela precisa ser investigada?

Enxaqueca é uma condição neurológica em que o cérebro apresenta excitabilidade aumentada e responde de forma exagerada a estímulos que não provocariam reação em outras pessoas. Uma crise envolve alterações na atividade elétrica cortical e na sinalização das vias que processam dor, o que explica por que ela costuma vir acompanhada de náusea, sensibilidade à luz e ao som.

Uma condição neurológica com crises recorrentes exige investigação do padrão, identificação dos fatores desencadeantes e, em muitos casos, tratamento preventivo, que é distinto do tratamento da crise.

Quais são os sinais de que a dor de cabeça precisa de avaliação neurológica?

Os sintomas variam conforme o tipo de cefaleia e a frequência das crises, mas os mais frequentes são:

  • Dor pulsátil, geralmente de um lado da cabeça, que piora com movimento;
  • Náusea ou vômito durante a crise;
  • Sensibilidade aumentada à luz, ao som ou a odores;
  • Crises que duram de algumas horas a três dias;
  • Alterações visuais que antecedem a dor, como pontos luminosos ou perda parcial do campo visual;
  • Necessidade de interromper as atividades durante a crise;
  • Aumento progressivo da frequência das crises ao longo dos meses;
  • Uso de analgésico mais de duas vezes por semana;
  • Rotina organizada em função da possibilidade de uma crise.

Quais são os tipos de Cefaleias, Enxaquecas e suas causas?

As causas se agrupam em categorias distintas, e o tratamento adequado depende de identificar qual delas está presente.

  • Enxaqueca sem Aura

    É a forma mais frequente. A crise se instala com dor pulsátil, geralmente unilateral, acompanhada de náusea e sensibilidade a estímulos. A duração varia de horas a três dias e a intensidade costuma exigir interrupção das atividades. Os fatores desencadeantes variam entre pacientes e a identificação do padrão individual é parte da investigação.

  • Enxaqueca Com Aura

    Antes da dor surgem sintomas neurológicos transitórios, mais frequentemente visuais: Pontos luminosos, linhas em zigue-zague ou perda parcial de campo visual. Podem ocorrer também formigamento e alteração da fala. A aura decorre de uma onda de alteração da atividade cortical e costuma durar de vinte a sessenta minutos.

  • Por Abuso de Analgésicos

    O uso frequente de medicação para as crises altera o limiar de dor e produz um padrão de cefaleia que decorre do próprio tratamento. O paciente passa a ter dor com mais frequência, se medica com mais frequência e sustenta o ciclo. É uma das causas mais subdiagnosticadas de piora progressiva do quadro.

  • Cefaleias Secundárias

    Um grupo menor de casos em que a dor decorre de outra condição, incluindo alterações da pressão intracraniana, causas vasculares e alterações estruturais. São menos frequentes, mas exigem que a investigação as descarte, especialmente quando o padrão da dor muda ou quando surgem outros sintomas neurológicos associados.

Mão segurando vários comprimidos e outra segurando um copo de água, com um frasco de remédio ao fundo

Por que o analgésico pode estar agravando o quadro?

Essa é a situação mais frequente no consultório. Quando a frequência aumenta e o uso de medicação se torna regular, o próprio analgésico passa a alterar o limiar de dor e a contribuir para a piora do quadro. O paciente tem dor com mais frequência, se medica mais e o ciclo se mantém.

O padrão de aumento progressivo da frequência das crises, com necessidade crescente de medicação, indica que a causa não foi investigada e que o quadro pode estar sendo sustentado pelo próprio tratamento. Existe tratamento preventivo, e ele exige diagnóstico.

O que a enxaqueca crônica provoca além da dor?

Quando as crises se tornam frequentes, o impacto deixa de ser restrito aos dias de dor. Entre uma crise e outra muitos pacientes relatam dificuldade de concentração, lentidão no raciocínio e cansaço persistente, um estado que decorre da própria hiperexcitabilidade cortical mantida.

O impacto sobre o sono é particularmente relevante. A enxaqueca compromete a qualidade do sono e o sono comprometido reduz o limiar para novas crises, o que estabelece um ciclo em que as duas condições se reforçam. É por isso que a investigação do sono faz parte da avaliação de pacientes com cefaleia recorrente.

Há ainda o custo funcional acumulado. A necessidade de organizar compromissos, viagens e rotina em função da possibilidade de uma crise produz um nível de restrição que o paciente costuma normalizar ao longo dos anos.

Mulher sentada no sofá de casa com expressão de dor, pressionando a têmpora com o dedo
Dr. Shigueo Yonekura, neurologista, em seu consultório

Tem crises frequentes de enxaqueca ou depende de analgésicos?

O Dr. Shigueo Yonekura é neurologista com formação em Neurologia e Sono pelo Hospital das Clínicas da USP, com atuação voltada à investigação e ao tratamento de condições neurológicas que envolvem dor, sono e cognição.

FALAR NO WHATSAPP