Transtorno Bipolar: Por que o diagnóstico costuma demorar anos e o que muda quando ele é feito
O transtorno bipolar é uma das condições mais frequentemente tratadas como depressão antes de ser identificada, e isso prejudica o diagnóstico.
- Dr. Shigueo Yonekura – Neurologista em São Paulo – SP
- Mais de 40 anos de experiência – CRM: 44519/SP l RQE Nº: 77390

O que é o transtorno bipolar e por que o diagnóstico correto importa?
O transtorno bipolar é uma condição caracterizada pela alternância entre episódios de humor deprimido e episódios de elevação do humor, que podem se manifestar como mania.
O diagnóstico costuma demorar porque o paciente procura ajuda durante os episódios depressivos, que são mais longos e mais incapacitantes. Os períodos de humor elevado raramente motivam consulta: São vividos como fases produtivas, de mais energia e menos necessidade de sono. Quando não são investigados ativamente, passam despercebidos, e o quadro é tratado como depressão unipolar.
O tratamento do transtorno bipolar difere do tratamento da depressão, e o uso isolado de antidepressivo em um paciente bipolar pode precipitar um episódio de elevação do humor ou tornar o ciclo mais instável. É por isso que a investigação de sinais de mania faz parte da avaliação de qualquer quadro depressivo de resposta insuficiente.
Quais são os sinais de que o quadro pode ser de Transtorno Bipolar?
Durante os episódios depressivos:
- Depressão que começou cedo, na adolescência ou no início da vida adulta
- Episódios depressivos recorrentes, separados por períodos de normalidade
- Resposta insuficiente a antidepressivos, ou melhora seguida de piora rápida
- Sono em excesso e lentidão acentuada durante os episódios
Durante os episódios de humor elevado:
- Períodos de energia aumentada e redução da necessidade de sono sem cansaço no dia seguinte
- Aceleração do pensamento e da fala
- Aumento da iniciativa, com vários projetos iniciados ao mesmo tempo
- Redução do senso de risco em decisões financeiras, profissionais ou pessoais
- Irritabilidade desproporcional
- Comportamentos que, em retrospecto, o próprio paciente reconhece como fora do seu padrão
Sinais gerais:
- Histórico familiar de transtorno bipolar
- Oscilações de humor que não correspondem a eventos externos
- Alterações do sono que precedem as mudanças de humor

Por que antidepressivos podem piorar o quadro?
Essa é a situação mais frequente entre pacientes bipolares ainda não diagnosticados. O paciente procura ajuda durante um episódio depressivo, recebe o diagnóstico de depressão e inicia antidepressivo. O que acontece em seguida costuma ser um de três padrões: Melhora seguida de uma virada para humor elevado, resposta inicial boa que se perde rapidamente, ou ciclos que se tornam mais frequentes ao longo do tempo.
No transtorno bipolar o problema não é apenas o humor deprimido, é a instabilidade da regulação do humor. O antidepressivo atua sobre um dos polos sem estabilizar o sistema, e em parte dos casos torna a oscilação mais instável.
O padrão de depressão que não responde bem, que responde e depois recai rapidamente, ou que começou cedo e se repete em episódios, é o que mais frequentemente indica necessidade de reavaliação diagnóstica. Não significa que o tratamento foi conduzido de forma equivocada, significa que o quadro pode ser outro.

Tem episódios depressivos e de euforia que se repetem ou depressão que não responde bem ao tratamento?
O Dr. Shigueo Yonekura é neurologista com formação em Neurologia e Sono pelo Hospital das Clínicas da USP, com atuação voltada à investigação de condições que envolvem sono, humor e cognição.