Ansiedade: Quando ela deixa de ser emocional e passa a ser neurológica
A ansiedade é uma das condições neurológicas mais diagnosticadas e uma das menos investigadas com profundidade.
- Dr. Shigueo Yonekura – Neurologista em São Paulo – SP
- Mais de 40 anos de experiência – CRM: 44519/SP l RQE Nº: 77390

O que é ansiedade crônica e por que ela precisa ser investigada?
Ansiedade é uma resposta natural do organismo diante de situações de risco ou incerteza. Torna-se crônica quando aparece sem motivo proporcional, permanece por tempo prolongado e passa a comprometer o funcionamento durante a rotina.
O que diferencia a ansiedade comum da ansiedade que precisa de investigação não é a intensidade de um episódio isolado, mas a persistência do estado de alerta. Quando os circuitos cerebrais responsáveis pela detecção de ameaça permanecem ativados de forma contínua, o organismo opera como se estivesse sob risco o tempo inteiro.
Ela pode ser a condição primária, mas também pode ser manifestação de insônia crônica, de condições neurológicas ou ter outras origens. Tratar sem investigar a origem pode não só manter o quadro como piorá-lo.
Quais são os sinais de que a ansiedade já está afetando o seu organismo?
Os sintomas variam conforme a duração e a causa, mas os mais frequentes são:
- Preocupação constante e desproporcional, mesmo com situações corriqueiras;
- Pensamentos acelerados e dificuldade para desligar a mente;
- Sensação de apreensão contínua, como se algo ruim fosse acontecer;
- Coração acelerado, aperto no peito e falta de ar sem causa cardíaca;
- Tensão muscular persistente, especialmente em ombros, mandíbula e pescoço;
- Dificuldade para iniciar o sono ou despertares por ativação mental;
- Dificuldade de concentração e sensação de mente em branco;
- Irritabilidade e reações desproporcionais a situações pequenas;
- Crises agudas com sintomas físicos intensos que simulam uma emergência cardíaca;
- Sintomas físicos recorrentes sem causa identificada: dores de cabeça, tensão muscular e alterações gastrointestinais.
O que pode estar por trás de um quadro de ansiedade persistente?
Essa é a parte que mais surpreende quem já tratou e continua com os mesmos sintomas. As causas se agrupam em categorias distintas, e o tratamento adequado depende de identificar qual delas está presente.
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Ansiedade Primária
Existe um grupo de pacientes em que a ansiedade não é resposta a uma situação externa, mas resultado do funcionamento alterado dos circuitos cerebrais que regulam o estado de alerta. O cérebro permanece em modo de vigilância mesmo na ausência de ameaça. É a forma mais frequente de transtorno de ansiedade generalizada e a que mais responde a abordagens que atuam diretamente sobre esses circuitos, como a EMT.
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Causado por Insônia Crônica
A privação de sono desregula os mesmos circuitos que causam ansiedade. Em muitos casos o paciente chega com queixa de ansiedade, e a investigação revela que o problema começou no sono. Sem corrigir a causa da insônia, a ansiedade não cede.
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Depressão Ansiosa
Existe um perfil de depressão em que a manifestação predominante é com agitação, inquietude e a sensação de não conseguir desligar. Nesses casos o paciente é medicado para ansiedade quando o quadro de base é depressivo, e a resposta ao tratamento é insuficiente.
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Outras Causas
Disfunções da tireoide, alterações hormonais da menopausa e da andropausa e deficiências nutricionais podem produzir sintomas indistinguíveis de ansiedade. São causas que exigem investigação laboratorial e que não aparecem em avaliações baseadas apenas no relato.

Por que a medicação isolada pode não ser suficiente?
Essa é a situação mais frequente no consultório. O paciente recebe o diagnóstico de ansiedade, inicia a medicação, melhora parcialmente e estabiliza num patamar em que os sintomas diminuíram mas não desapareceram. Ou melhora, tenta reduzir a dose e o quadro retorna.
A medicação ansiolítica reduz a atividade dos circuitos de alerta, mas não corrige o que os mantém hiperativos. Quando a causa é insônia crônica, alteração hormonal, depressão com apresentação ansiosa ou uma combinação desses fatores, o medicamento controla parcialmente o sintoma sem resolver o mecanismo que o produz.
O que a ansiedade crônica provoca além da inquietação?
O estado de alerta mantido por meses ou anos compromete funções que dependem de equilíbrio entre ativação e repouso. A ansiedade crônica altera a arquitetura do sono mesmo quando o paciente consegue dormir, reduz a capacidade de consolidação de memória e mantém o organismo em um padrão inflamatório.
A relação entre ansiedade crônica e insônia é particularmente relevante porque a insônia sustentada está associada a risco aumentado de declínio cognitivo, além disso as duas condições se reforçam quando não são tratadas em conjunto.


Se sente ansioso constantemente?
O Dr. Shigueo Yonekura é neurologista com formação em Neurologia e Sono pelo Hospital das Clínicas da USP, com atuação voltada à investigação e ao tratamento de condições que envolvem sono, humor e cognição.